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O
Pacto pela Saúde, aprovado
pelo CNS em fevereiro, está
estruturado em três pilares:
Pacto pela Vida, Pacto em Defesa
do SUS e Pacto de Gestão.
No
Pacto pela Vida, estão
enumeradas prioridades básicas
em saúde que os três
entes federados devem perseguir,
com metas e indicadores para avaliação
anual. A agenda de atividades
prioritárias busca a atenção
integral à saúde
do idoso; o controle do câncer
de colo de útero e de mama;
a redução da mortalidade
materna e infantil; o fortalecimento
da atenção básica;
a promoção da saúde;
e o reforço de ações
para o controle das doenças,
emergências, e endemias,
com ênfase na dengue, hanseníase,
tuberculose, malária e
influenza.
De acordo com o pacto, caberá
aos governos estaduais e municipais
construir as ações
necessárias para cumprimento
das metas, em acordo com a realidade
local. Prioridades estaduais e
municipais também poderão
ser agregadas à agenda
nacional.
Já o Pacto em Defesa do
SUS visa iniciar um movimento
de re-politização
da saúde, nos moldes da
Reforma Sanitária, em defesa
do caráter público
e universal do sistema de saúde
brasileiro. Os gestores federal,
estaduais, municipais e do DF
devem procurar fortalecer as relações
com os movimentos sociais de luta
pela saúde, ampliando o
diálogo com a sociedade.
É a busca pelo reconhecimento
do Sistema Único de Saúde
como política de Eestado
e não apenas de um governo
específico.
Os três entes federados
se comprometem também em
a reunir esforços para
assegurar um financiamento compatível
às necessidades da rede
pública de saúde.
Uma ação imediata
nessa linha é a luta pela
regulamentação da
Emenda Constitucional n.º
29, que garante recursos mínimos
das três esferas de governo
para o custeio das ações
de saúde.
No Pacto de Gestão, União,
estados, municípios e Distrito
Federal acordaram um conjunto
de responsabilidades comuns e
específicas em relação
à descentralização,
à regionalização,
ao financiamento, ao planejamento,
à programação
pactuada e integrada, à
regulação, à
gestão do trabalho, àeducação
na saúde, à participação
e ao controle social (detalhes
quadro anexo).
Uma das principais inovações
determinadas pelo Pacto de Gestão
é em relação
ao financiamento das ações
de saúde. A transferência
fundo a fundo de recursos federais
para estados e municípios
passa a ser estruturada em cinco
blocos: atenção
à saúde, média
e alta complexidade, vigilância
em saúde, assistência
farmacêutica e gestão
do SUS. É o fim das mais
de cento e trinta130 formas de
repasse de recursos do governo
federal, o que vai permitir aos
gestores planejar melhor as ações
de saúde.
Controle social - A formalização
do Pacto pela Saúde se
dará a partir do Termo
de Compromisso de Gestão
que será assinado pelos
gestores das três esferas
de governo. Os termos de compromisso
devem conter as metas e objetivos
do Pacto pela Vida e as atribuições
de cada gestor, definidas no Pacto
de Gestão. Cada termo de
compromisso será apreciado
no respectivo conselho de saúde
e na comissão intergestores
tripartite ou bipartite, conforme
o caso.
Com o pacto, altera-se a lógica
do processo de habilitação
dos estados e municípios.
Não haverá mais
a divisão entre município/estado
habilitado e não -habilitado.
Todos passam a ser gestores das
ações de saúde,
com atribuições
definidas e metas a cumprir.
Anualmente, os conselhos de saúde
farão uma avaliação
com os gestores da execução
dos planos de saúde, a
partir do que foi acordado no
termo de compromisso. "Essa
mudança vai implicar numa
maior organização
da gestão, na qualificação
dos processos de planejamento,
de programação e
de avaliação",
afirma André Bonifácio,
diretor do Departamento de Apoio
à Descentralização
do Ministério da Saúde.
Bonifácio explica que o
pacto também vai contribuir
para fortalecer os conselhos de
saúde como espaços
de debate e qualificação
da política de saúde.
A expectativa do Ministério
da Saúde é de que
no mês de março seja
publicado o regulamento que institui
a implantação do
pacto. E aA partir de abril, os
gestores já poderão
assinar os termos de compromisso.
Pacto
de Gestão
Estabelece responsabilidades comuns
e específicas dos gestores
nas seguintes áreas:
-·
Descentralização
- busca pelo aprofundamento do
processo de descentralização
das ações de saúde
e dos processos administrativos
relativos à gestão,
com ênfase na descentralização
compartilhada;.
-·
Regionalização -
busca pela definição
de recortes regionais de assistência
à saúde (Regiões
de Saúde) a partir das
realidades locais e não
considerando apenas um desenho
nacional único. A organização
da Região de Saúde
deve favorecer a ação
cooperativa e solidária
entre os gestores e o fortalecimento
do controle social;.
-·
Financiamento - transferência
de recursos federais para estados
e municípios estruturada
em cinco blocos. Tanto a União
quanto os estados devem utilizar,
preferencialmente, a forma de
repasse fundo a fundo.
-·
Planejamento - eixo estruturante
da relação entre
os gestores. Busca pela pactuação
tripartite das bases funcionais
para construir um sistema de monitoramento
e avaliação, bem
como promover a participação
social e a integração
intra e inter-setorialintersetorial.
-·
Programação Pactuada
e Integrada - planejamento de
ações de saúde
em cada território que
vai nortear a alocação
dos recursos financeiros para
a saúde, a partir de critérios
e parâmetros pactuados entre
os gestores.
-·
Regulação - a regulação
dos prestadores de serviços
deve ser preferencialmente do
município conforme o desenho
da rede de assistência pactuada
entre os gestores e os termos
de compromisso de gestão.
-·
Participação e Controle
Social - comprometimento dos gestores
em: apoiar a estruturação
dos conselhos de saúde,
das conferências, dos movimentos
socais e da capacitação
dos conselheiros; estimular a
participação dos
cidadãos nos serviços
de saúde; apoiar a implantação
de ouvidorias nos estados e municípios.
-·
Gestão do Trabalho - construção
de uma política de recursos
humanos para o SUS que busque
a valorização do
trabalho e dos trabalhadores da
saúde. Desenvolvimento
de ações voltadas
à adoção
de vínculos de trabalho
com vistas à garantia dos
direitos sociais e previdenciários.
-·
Educação na Saúde
- considera a educação
permanente como parte essencial
da política de formação
e desenvolvimento dos trabalhadores
para a qualificação
do SUS.
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