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Congresso internacional alerta para riscos de sucateamento das universidades e da saúde

  • Publicado: Quinta, 31 de Maio de 2018, 10h37

O 13º Congresso Internacional Rede Unida, que reúne em Manaus (AM) diversos ativistas oriundos de dez países, debateu nesta quinta (31/05), o tema “A universidade em tempos sombrios: é possível compor autonomia, liberdade e compromisso social?”. Ronald dos Santos, presidente do CNS, e Reitor Tourino, da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) trouxeram os dilemas que as instituições de ensino e a saúde no Brasil estão enfrentando devido aos corte de investimentos.

De acordo com Tourino, diversos cursos e instituições federais de ensino foram criadas na última década, porém os espaços que ainda não ganharam maturidade estão sendo os principais afetados. “Não estamos estáveis. Mas o que está em jogo não é só se vamos ter vaga ou não nas universidades. O que está em jogo é se vamos ter ou não universidade pública para a sociedade brasileira. O orçamento vinculado ao Ministério da Educação (MEC) e do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia está diminuindo”. Segundo ele, o Plano Nacional de Educação não está sendo cumprido.

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais de 50% do setor da educação privada no país é controlado por multifinanceiras internacionais que têm interesse em obter lucro com a privatização da educação no Brasil. “A questão fundamental para a soberania de um país é o investimento em conhecimento. Sem isso, não poderemos reverter esse quadro. Como a ciência não dá resultados em curtos prazos, acaba sendo o primeiro orçamento a ser cortado”, explica. “A situação é delicada e requer um empenho da sociedade para não colocarmos em risco a educação”. Os cortes vêm prejudicando ações e programas em 68 universidades federais que somam 328 Campis.

Assine contra EC 95/2016

Ronald dos Santos criticou a mercantilização da saúde e da educação, que vêm passando por graves ameaças principalmente devido à Emenda Constitucional 95/2016, responsável por congelar investimentos sociais até 2036.  “A única possibilidade de enfrentamento à dúvida se vamos voltar a ser colônia ou se vamos ter soberania é através de um estado nacional e do respeito à necessidade dos seus povos. Estamos assistindo no Brasil a elite de sempre, que nunca teve compromisso com a nação brasileira”, disse.

Mariana de Albuquerque, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), participa do evento. Recentemente ela realizou um estudo que comparava evolução de populações em periferias de 2010 a 2016 a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Vimos que onde aumentou o investimento em educação houve mais qualidade de vida. Concluímos que elevar o nível de escolaridade das regiões, eleva o desenvolvimento social”.

Estudantes da saúde precisam defender o SUS

A conselheira nacional de saúde, Sueli Barrios, representante da Rede Unida, acredita que a formação pública deve elucidar aos estudantes da saúde a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população. “Nossa formação em saúde é prioritariamente feita pelos serviços do SUS. Mas os profissionais que formamos saem falando mal do SUS, sem querer trabalhar no setor público. A universidade também é responsável por qualificar os serviços do SUS. Muitos alunos não têm ideia de como a luta para construir esse direito foi dura. Precisamos disputar o imaginário do estudante para que ele se apaixone e defenda aquilo que foi tão árduo de conquistar. Temos que formá-lo para o público e não para o privado”, finalizou.

Agência Rede Unida, por Danilo Castro (Ascom CNS)

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