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Nutricionistas se unem em congresso que debate comida saudável como direito humano

  • Publicado: Quinta, 19 de Abril de 2018, 07h05

Centenas de nutricionistas de todo o Brasil estão reunidos em Brasília no 25º Congresso Brasileiro de Nutrição (Conbran), que traz como tema “Comida: relações de afeto, tradições e direitos”. Durante a abertura, ocorrida na noite desta quarta (18/04), o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald dos Santos, defendeu que uma alimentação saudável é direito a qualquer pessoa. Por isso, políticas na área são necessárias e preventivas, reduzindo as despesas do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o SUS conta hoje com 19 mil nutricionistas, sendo nove mil nas Equipes de Saúde da Família (ESF). Só as despesas com danos à saúde por conta da obesidade na população brasileira chegam a R$ 500 milhões anualmente. Isso se dá devido à má alimentação oriunda de produtos industrializados, transgênicos, com agrotóxicos, além das redes de fast food.

Saiba mais sobre o Conbran

“Comer é um ato político. Temos que fortalecer o modelo agroecológico e a agricultura famliar”, disse Élido Bonomo, presidente do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN).  Recentemente, o Congresso Nacional aprovou a retirada da identificação que sinaliza que um alimento industrializado é transgênico. A aprovação da nova regra estaria ligada ao lobby da indústria alimentícia com parlamentares.

A professora Maria do Carmo Soares de Freitas, do Departamento de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), também reforça que a indústria da alimentação muitas vezes não se importa com a saúde dos consumidores, gerando mais pessoas obesas. “Isso reforça o estigma sobre eles. A população não os acolhe, nem os aceita. Não podemos gerar mais sofrimento a essas pessoas”, disse.

Fome volta a crescer no Brasil

Programas de distribuição de renda como o Fome Zero e o Bolsa Família, implementados a partir de 2003, ajudaram o Brasil a sair do mapa da fome, em 2014, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, a crise atual e o corte de investimentos em políticas sociais, por conta da Emenda Constitucional 95/2016, voltam a ameaçar os mais pobres no Brasil. “O direito à uma alimentação adequada é uma dívida política. É dramático viver com fome. Saímos do mapa da fome, mas podemos voltar com o corte de investimentos”, disse a professora.

O CNS possui uma Comissão de Alimentação e Nutrição (Cian), que atua em defesa do direito à alimentação saudável, aprovando recomendações, moções e resoluções que devem nortear o desenvolvimento de políticas na área. Durante o evento, Ronald dos Santos convocou os congressistas a participarem da 16ª Conferência Nacional de Saúde, agendada para 2019 e considerada um dos maiores eventos de participação social do Brasil.

“Num ambiente de ódio, trazer o afeto como elemento central da alimentação é necessário. A nação brasileira está em risco com a desestruturação do SUS. A contribuição dos nutricionistas nessa luta é fundamental para que não destruam aquilo que levamos três décadas para construir [SUS]”, finalizou. As conselheiras Zaíra Salerno, da Associação Brasileira de Nutrição (ABN), e Nelcy Ferreira, do CFN, também participam do evento. Amanhã (20/04), o CNS vai realizar a oficina “Os 30 anos do SUS na luta pelo direito à alimentação saudável”, de 14h às 16h, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães.

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Ascom CNS

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