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Pesquisadores debatem estudos e desenvolvimentos de fármacos e vacinas para Covid-19 em live do CNS

  • Publicado: Quarta, 24 de Junho de 2020, 16h17
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Encontro online contou com a presença da microbiologista Natalia Pasternak, que atua na USP, e do médico Ricardo Palacios, do Instituto Butantan

“O avanço do novo coronavírus está impactando significativamente no aumento das vendas de alguns medicamentos, mesmo sem eficácia comprovada, na prevenção ou no combate à Covid-19″, com essa preocupação, a conselheira nacional de Saúde pela Federação Nacional dos farmacêuticos (Fenafar), Débora Melecchi, deu início a 6ª edição da Live do Conselho Nacional de Saúde (CNS). A atividade ocorreu na quarta-feira (24/06) com a proposta de fazer um panorama sobre o que há de concreto nas pesquisas e em que fase dos estudos para desenvolvimento de medicamentos e vacinas a ciência mundial está. 

A microbiologista e pesquisadora Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak, alertou sobre os riscos da automedicação, especialmente de medicamentos sem eficácia comprovada. “A cloroquina e a ivermectina são medicamentos que funcionaram no laboratório, mas em humanos há defeitos. Não funcionam com total eficácia e trazem risco cardíaco quando associados com azitromicina”, destacou. 

Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Farmácias (CFF), foi registrado um aumento de 67% nas vendas nos primeiros três meses de 2020, comparado ao mesmo período do ano anterior. A falta de conhecimento sobre os processos da ciência, segundo Natália, tem gerado confusão para as pessoas. Por isso, durante a live, a pesquisadora explicou como funciona o Teste Clínico Randomizado Duplo Cego com Grupo Placebo, necessário para confirmar a eficácia e a segurança dos fármacos. 

“O teste consiste em dividir as pessoas em grupos e compará-los. Um grupo vai receber o medicamento em estudo, outro vai receber o placebo – pílula de farinha, sem nenhuma substância – , e o terceiro não receberá nada, só a medicação de suporte, quando necessária”, explica. 

No estudo, os grupos precisam ser similares entre si, com características diversas distribuídos de forma randomizada, ou seja, aleatória. Para a comparação, a pesquisa precisa ter caráter duplo cego, que quer dizer que nem o médico que está prescrevendo o medicamento, nem o paciente, sabem a qual grupo ele está incluído. Dessa forma é eliminado o viés de confirmação, que é a tendência de interpretar de maneira a confirmar crenças ou hipóteses iniciais. 

“O medicamento ou a vacina tem que funcionar melhor do que o grupo placebo ou o tratamento padrão. Só assim saberemos se ele funciona ou não. As evidências de casos isolados não contam para a ciência porque podem ter vários fatores de confusão envolvidos”, detalha a pesquisadora. 

 

Vacinas

O caminho para o desenvolvimento de vacinas segue protocolos como os dos medicamentos. O diretor médico de pesquisa clínica do Centro de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, falou sobre a participação das instituições e comunidades brasileiras no desenvolvimento das pesquisas, especialmente por meio de parcerias. 

“No Brasil, nós temos uma experiência enorme em pesquisa clínica. Nós conseguimos incorporar e desenvolver rapidamente as pesquisas com seres humanos”, disse Ricardo, que também ressaltou o papel da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) do CNS na garantia de que os estudos estão sendo realizados de forma adequada. 

Ricardo também falou sobre as etapas dos testes em seres humanos e porque há países, como a China e a Inglaterra, com estudos avançados. Na primeira fase os testes, ocorrem no lugar onde o produto foi desenvolvido. Na segunda, são testados a dose e o intervalo ideal de administração. Na terceira, a vacina é levada para as populações mais expostas ao vírus.

 

“Os primeiros testes com seres humanos aconteceram em abril na China e na Inglaterra. Estamos na fase 2, em que vamos descobrir o esquema ideal. Avaliamos na resposta de defesa dos anticorpos”, explicou o pesquisador. China e Inglaterra já trabalhavam em vacinas para combater vírus semelhantes ao coronavírus que provocam a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) ou a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars). Por isso, as vacinas estavam mais avançadas. 

Pesquisas em andamento

Segundos dados da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) do CNS, até o dia 15 e junho, foram aprovados 453 protocolos de pesquisas científicas relacionadas ao coronavírus. Os estudos têm características metodológicas diversas, além de grande variabilidade no número de participantes de pesquisa. Desde uma pessoa, nos relatos de caso, 1.300 nos ensaios clínicos, até a previsão de inclusão de mais de 14 mil pessoas no estudo epidemiológico de base populacional.

Em relação aos temas abordados nos estudos, há uma grande variedade, como o desenvolvimento de testes sorológicos, a evolução da prevalência da infecção no país, métodos para minimizar a exposição ao ar durante os procedimentos, saúde mental de pacientes e de profissionais de saúde, entre outros. 

 

Outras participações

Também participaram do encontro online promovido pelo CNS, o conselheiro nacional  de Saúde, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Bruno Abreu;  o representante do Conselho Federal de Farmácia (CFF) no Fórum das Entidades Nacionais dos Trabalhadores da Área de Saúde (Fentas), Francisco Júnior;  e a conselheira nacional de Saúde pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Ana Clébea Nogueira.

Eles falaram sobre os impactos das fake news para a comunicação adequada com a população, na busca de soluções para a crise sanitária; sobre a atenção aos pacientes oncológicos durante a pandemia, que são grupo de risco e não podem ficar sem acesso ao tratamento; e sobre o papel da atenção básica da saúde na prevenção ao coronavírus. 

Confira aqui para assistir a live na íntegra. 

Ascom CNS

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