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Pesquisadores cobram dados sobre mulheres negras vítimas de Covid-19

  • Publicado: Terça, 24 de Novembro de 2020, 12h11
  • Última atualização em Quarta, 25 de Novembro de 2020, 10h13
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Relatora da comissão externa que acompanha pandemia alerta para racismo institucional na saúde pública

Pesquisadores, especialistas e representantes da área de saúde lamentaram a falta de dados sobre mulheres negras vítimas de Covid-19 em debate virtual promovido pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, na sexta-feira (20/11), sobre a saúde da mulher negra na pandemia. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) esteve representado pela conselheira Maria da Conceição Silva, que integra a União de Negros pela Igualdade (Unegro).

Na reunião, deputadas e debatedores destacaram a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo atendimento de 80% da população negra. “A saúde deve ser direito de toda a população, inclusive da população negra. É fundamental defender o SUS, modelo que entende a saúde integral,”afirmou a deputada Talíria Petrone

Falta de informações
Pesquisadores observam que, sem informações sobre cor ou raça nos dados de saúde, não é possível elaborar políticas de tratamento específicas para população negra. A coordenadora do Observatório da Saúde da População Negra (Popnegra) da Universidade de Brasília (UnB), Marjorie Chaves, disse que a crise sanitária tornou insustentável a desigualdade de acesso à saúde. “As áreas de saúde são obrigadas a coletar informação por raça ou cor. Mas na pandemia isso não foi cumprido”, lamentou.

Marjorie Chaves citou pesquisa de São Paulo indicando que a mortalidade da doença foi maior entre a população negra com relação à contaminação. Ela também apontou para o simbolismo de que a primeira vítima de Covid-19 no Rio de Janeiro foi uma trabalhadora doméstica negra, que contraiu doença de contratante que veio da Europa.

Partos e saúde mental
Especialista em saúde da família, a conselheira nacional de Saúde Maria da Conceição Silva denunciou a falta de combate à mortalidade materna de mulheres por Covid-19. Ela queixou-se do desmonte da política nacional de atenção básica em saúde e da falta de estratégia de saúde da família. “Para dar resposta melhor à pandemia, atenção básica é fundamental”, apontou.

A deputada Carmen Zanotto, que é relatora da Comissão Externa que acompanha a pandemia da Covid-19 no país, lamentou o que vem ocorrendo com a população negra. “Como parlamentar e enfermeira, vi o racismo institucional na saúde. Profissionais da saúde dedicam menos tempo para mulheres negras durante o prenatal, trabalho de parto, parto e pós-parto. Isso é uma violência”, criticou.

Problemas de saúde mental, que também se agravaram ao longo da pandemia, foram citados pela psicóloga Luana Alves como outra preocupação que requer atendimento especial à população negra. “Os indicadores são terríveis. As tentativas de suicídio aumentam muito na juventude negra”, alertou. Ela lembrou que a saúde é determinada por condições de vida, alimentação e moradia, que influenciam para que os indicadores sejam piores entre mulheres negras.

Por causa da taxa de mortalidade maior em determinadas doenças e condições de saúde, a médica Regina Nogueira defendeu que prontos-socorros devem dar prioridade de atendimento a negros vítimas de violência, grávidas negras e pacientes hipertensos negros. “Não é que ser negro tenha pré-disposição a algumas doenças. Mas esta abordagem pode reduzir a mortalidade”, propôs. Regina Nogueira é criadora do Banco Grão, primeiro banco comunitário digital dos povos tradicionais de matriz africana.

Solidariedade
Ao longo do debate, deputadas e debatedores declararam solidariedade à família de João Alberto Silveira Freitas, que era negro e morreu espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS), na véspera do Dia da Consciência Negra. “Não vamos esquecer. Precisamos ter Justiça neste País”, protestou Erika Kokay, que também participou de manifestação em uma das lojas do Carrefour.

A deputada Carmen Zanotto, que também é procuradora-adjunta da Procuradoria da Mulher, afirmou que a Câmara dos Deputados também deve acompanhar o caso da primeira vereadora negra eleita em Joinville (SC), que sofreu ameaça de morte por vaga para suplente branco. “Ela precisa do olhar do Parlamento para sua proteção e de seus familiares”, declarou.

Assista ao debate na íntegra

Foto: Filipe Araújo/Fotos Públicas

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Ascom CNS

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